
Sabemos que por vezes a música instrumental nos pode parecer órfã de uma voz a apoiá-la, e está só ao alcance dos bons evitar esse problema. Nem em todos os tipos de música é assim, como a clássica ou erudita, o jazz, ou, do outro lado do círculo, a música electrónica e/ou a música de dança em geral. Quando em sonoridades mais filhas do rock se tenta um instrumental, há que o fazer com cuidado, não vá a ausência da voz notar-se. Ou se é muito virtuoso e o(s) instrumento(s) acabam por também cantar, ou se é talhado para coisa. Talhados como os Riding Pânico. Ao ouvir-se pela primeira vez, e ao não saber que não existe a voz, vamos esperando por ela. Esperamos demais, damos por nós e a música acabou. E não há voz. Será que fez falta? Ouve-se outra vez para verificar. Não. Não faz. E não é por nos habituarmos à sua ausência. Em determinado contexto de qualidade instrumental, a voz não tem lugar. As guitarras dos Riding Pânico acabam por nos cantar aquilo que precisamos de ouvir. Na sua linguagem muito própria, as notas, os riffs, os acordes, sejam o que forem, transmitem a mensagem desejada. É essa muitas vezes a intenção da música em geral. Temos que absorver as suas sequências musicais para tentarmos captar qualquer coisa, partindo do princípio que há algo para captar, e creio que os Riding o fazem. "Ladycobra", registo da banda, está neste momento à venda para o público, e estão vários concertos agendados para Portalegre, Aveiro, Porto e Lisboa. Não percam. Mesmo!
MySpace: http://www.myspace.com/ridingpanico

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